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A Luz
Lá muito ao longe… está a luz!
Eu já a vi!
E agora…
Procuro o caminho que a Ela conduz…
Mas afastai-vos, caridoso intento!
Saí da minha frente,
Gentes que ouvistes meu lamento!
Perdoai o meu tom brutal, irado…
… Mas eu não quero fazer o tema copiado!
Eu quero ir sozinha!
Consciente dos meus passos!
Ainda que gaste a vida em sofrimento…
Eu quero ir sozinha!...
Deixai-me passar!...
Deixai-me enganar e recomeçar…
Deixai-me ficar aos bocados pela estrada,
Deixai-me que procure em direcção errada,
Mas deixai-me ir sozinha!...
E se eu morrer antes de alcança-la,
A Luz saberá
Que eu gastei a vida a procurá-la!...
Maria José Rijo
Peregrina
Fui estrangeira durante quase toda minha vida.
Não tenho alternativa, aceito esta condição.
Parti! Rompendo laços e sem alguma intenção,
Secaram-se-me as raízes, de tanta despedida.
Fui peregrina por mais caminhos neste mundo,
Que a memória me consente, deixando tudo para trás.
Falta de um lugar geográfico que me desse paz,
Para gerar novas raízes e enterra-las bem fundo.
A contragosto deambulei por dois continentes.
Forçada ou auto-exilada, como tantos emigrantes,
Vivendo na saudade provocada pela recordação.
E se me perguntarem, afinal de onde sou.
De sítio nenhum! Nem sei para onde vou!
Só sei que sou portuguesa de coração.
Paula Mendes
Palermóides
Digamos que começa com a morte
De não sei quantos mil milhões de zóides,
Espermas na corrida. Palermóides
Não sabem que só um vai ter a sorte
Fecunda de gerar uma outra vida.
Um prémio bem difícil, lotaria.
No fim daquela louca correria
Só um alcança a terra prometida.
A vida e a morte entrelaçadas
Governam desde épocas passadas
Os dias que passamos a correr.
Tiremos nós de vida bom proveito,
Amemos a valer, pois, com efeito,
A morte paciente está a ver.
CELTIBERIO
Ó tu minha irmã!
Ó tu minha irmã! Mulher guerreira!
Ó tu cidadã do mundo! Mulher valente!
Tu que combateste a morte de frente.
Tu que venceste essa doença matreira.
Vives com a dor, tua triste companheira.
Dor que não larga os teus pobres ossos,
Esfarelados em meios aos destroços.
Restos vivos de uma indesejada parceira.
Quero Poder arrancar do teu peito,
Toda essa dor. Maldita dor sem jeito.
Mas na verdade tudo é diferente…
Perante esta tua constante luta.
Uma luta tão desigual e injusta,
Sinto-me uma inútil impotente.
Este poema é dedicado a minha mana Lena e a todas as mulheres que como ela venceram, lutaram ou ainda lutam contra o cancro. Amo-te muito mana...
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